5.1.10
Fernando Pessoa / A. Caeiro (O Tejo é mais belo)
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia,
O Tejo tem grande navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
(O guardador de rebanhos)
Alberto Caeiro
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Fernando Pessoa (A. Caeiro)
Pablo Neruda (Poema 20-II)
POEMA 20
Podia escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: “A noite está estrelada
e tiritam, azuis, os astros ao longe”.
O vento da noite gira no céu e canta.
Podia escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu amei-a e ela por vezes também me amou.
Em noites como esta tive-a em meus braços.
Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela amou-me, às vezes eu também a amava.
Como não amar seus grandes olhos fixos.
Podia escrever os versos mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais imensa ainda sem ela.
E o verso cai na alma como no pasto cai o orvalho.
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
É isso apenas. Alguém canta ao longe. Ao longe.
Minha alma não se conforma com tê-la perdido.
Como se quisessse tocar-lhe meu olhar a busca.
Meu coração a busca e ela não está comigo.
A mesma noite branqueia as mesmas árvores.
Nós, os de então, já não somos os mesmos.
Eu não a amo, é certo, mas quanto a amei.
Minha voz buscava o vento pra tocar ao seu ouvido.
De outro. Há-de ser de outro. Como dantes de meus beijos.
Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Eu não a amo, é certo, mas amo-a talvez.
É tão curto o amor, tão longo o olvido.
Porque em noites como esta a tive em meus braços,
Minha alma não se conforma com tê-la perdido.
Embora esta seja a dor última que ela me causa
e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo.
PABLO NERUDA
Veinte poemas de amor y una canción desesperada
(1924)
(Trad. A.M.)
[Original]
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Pablo Neruda
4.1.10
Alexandre O'Neill (O beijo)
O BEIJO
Congresso de gaivotas neste céu
Como uma tampa azul cobrindo o Tejo.
Querela de aves, pios, escarcéu.
Ainda palpitante voa um beijo.
Donde teria vindo! (não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?
É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.
E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...
Alexandre O’Neill
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Alexandre O'Neill
Manoel de Barros (Retrato quase apagado - VII)
RETRATO QUASE APAGADO - VII
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento vuluptuoso.
Talvez corrompê-los até à quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.
MANOEL DE BARROS
Compêndio para uso dos pássaros
(Poesia reunida 1937-2004)
Quasi Edições, 2007
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Manoel de Barros
3.1.10
Juan Carlos Mestre (Falo contigo)
HABLO CONTIGO
Hablo contigo, ignoro dónde estás, hacia qué luz busca mi Ser el eco en que te escucho.
No hay usura en tu voz, yo sé que un aire limpio te respira, que algo redentor, alguna claridad que arrastra el río lleva el pensamiento tuyo.
Hablo contigo, una intacta pasión vive en tu fósforo, una única luz que no se apaga mientras la muerte fluye, mientras la muerte sufre esta palabra.
Y hablo, hablo contigo alrededor de un hueco, alrededor de mí como el que gira mutuo, como aquel que dentro de nosotros es próximo y se acerca con su haz luminoso de pureza.
Hablo ante el destino que imagina el hombre, eso de desvalido, eso de delirante y turbio hablo contigo. Y es de noche, es de noche en los dos como metal oscuro, y vemos como largamente la verdad extiende su único hilo de saliva, un único alfabeto en el rumor de todos.
Hablo contigo, oh bondad compartida de quien es silencioso, sombra de esa sombra que aletea y es vuelo de semejante elocuencia, el que escribe, el que escucha, el que lámina a lámina va enhebrando en el eco una voz que responde, esa voz en mí mismo, la que nos alumbra y persuade desde más allá de la muerte.
Juan Carlos Mestre
Falo contigo, não sei onde estás, nem a que luz busca meu Ser o eco em que te escuto.
Não há usura na tua voz, sei que um ar limpo te respira, que algo de redentor, alguma claridade arrastada pelo rio leva o teu pensamento.
Falo contigo, uma intacta paixão vive em teu fósforo, uma só luz que não se apaga enquanto a morte flui, enquanto a morte sofre essa palavra.
E falo, falo contigo sobre um buraco, sobre mim ou esse que está próximo dentro de nós e se chega com seu rosto luminoso de pureza.
Falo perante o destino imaginado pelo homem, desamparado, delirante e turvo, falo contigo. E é de noite, noite nos dois como escuro metal, vendo a verdade estender longamente seu fio de saliva, um alfabeto único do rumor de todos.
Falo contigo, ó bondade partilhada de quem é silêncio, sombra dessa sombra que adeja, quem escreve, quem escuta, quem lâmina a lâmina vai desfibrando no eco uma voz que responde, essa voz dentro de mim, essa que nos ilumina e persuade do outro lado da morte.
(Trad. A.M.)
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Juan Carlos Mestre
Adolfo Casais Monteiro (Ode ao Tejo)
ODE AO TEJO E À MEMÓRIA DE ÁLVARO DE CAMPOS
E aqui estou eu,
ausente diante desta mesa -
e ali fora o Tejo.
Entrei sem lhe dar um só olhar.
Passei, e não me lembrei de voltar a cabeça,
e saudá-lo deste canto da praça:
"Olá, Tejo! Aqui estou eu outra vez!"
Não, não olhei.
Só depois que a sombra de Álvaro de Campos se sentou a meu lado
me lembrei que estavas aí, Tejo.
Passei e não te vi.
Passei e vim fechar-me dentro das quatro paredes, Tejo!
Não veio nenhum criado dizer-me se era esta a mesa em que Fernando
Pessoa se sentava,
contigo e os outros invisíveis à sua volta,
inventando vidas que não queria ter.
Eles ignoram-no como eu te ignorei agora, Tejo.
Tudo são desconhecidos, tudo é ausência no mundo,
tudo indiferença e falta de resposta.
Arrastas a tua massa enorme como um cortejo de glória,
e mesmo eu que sou poeta passo a teu lado de olhos fechados,
Tejo que não és da minha infância,
mas que estás dentro de mim como uma presença indispensável,
majestade sem par nos monumentos dos homens,
imagem muito minha do eterno,
porque és real e tens forma, vida, ímpeto,
porque tens vida, sobretudo,
meu Tejo sem corvetas nem memórias do passado...
Eu que me esqueci de te olhar!
Adolfo Casais Monteiro
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Adolfo Casais Monteiro
2.1.10
Adília Lopes (O Marquês de Chamilly)
O MARQUÊS DE CHAMILLY A MARIANA ALCOFORADO
Minha senhora deve ter
uma coisa muito urgente e capital
a dizer-me
porque me tem escrito muito
e muitas vezes
porém lamento dizer-lho
mas não percebo
a sua letra
já mostrei as suas cartas
a todas as minhas amigas
e à minha mãe
e elas também não percebem bem
não me poderia dizer
o que tem a dizer-me
em maiúsculas?
ou pedir a alguém
com uma letra mais regular
que a sua
que me escreva
por si?
como vê tenho a maior vontade
em lhe ser útil
mas a sua letra minha senhora
não a ajuda
ADÍLIA LOPES
O Marquês de Chamilly
(Kabale und Liebe)
[00:04]
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Adília Lopes
1.1.10
Felipe Benítez Reyes (Miséria da poesia)
MISERIA DE LA POESÍA
La lenta concepción de una metáfora
o bien ese temblor que a veces queda
después de haber escrito algunos versos
¿justifican una vida? Sé que no.
Pero tampoco ignoro que, aun no siendo
cifra de una existencia, esas palabras
dirán que quien dispuso su armonía
supo ordenar un mundo. ¿Y eso basta?
Los años van pasando y sé que no.
Hay algo de grandeza en esta lucha
y en cierto modo tengo
la difusa certeza de que existe
un verso que contiene ese secreto
trivial y abominable de la rosa:
la hermosura es el rostro de la muerte.
Si encontrase ese verso, ¿bastaría?
Tal vez no. Su verdad, ¿sería tanta
como para crear un mundo, para darle
color nuevo a la noche y a la luna
un anillo de fuego, y unos ojos
y un alma a Galatea, y unos mares
de nieve a los desiertos? Sé que no.
Felipe Benítez Reyes
A lenta concepção de uma metáfora
ou então essa tremura que fica às vezes
depois de escrever uns versos
justificam uma vida? Sei que não.
Mas tão pouco ignoro que, mesmo sem serem
cifra de uma existência, essas palavras
dirão de quem dispôs a sua harmonia
que soube ordenar um mundo. E basta isso?
Os anos vão passando e sei que não.
Há nesta luta alguma grandeza
e de certo modo tenho
a certeza difusa de que existe
um verso contendo esse segredo
trivial e abominável da rosa:
a beleza é o rosto da morte.
Se eu encontrasse esse verso, bastaria?
Talvez não. A sua verdade chegaria
para criar um mundo, para dar
à noite nova cor, um anel de fogo à lua,
alma e olhos a Galatea e alguns mares
de neve aos desertos? Sei que não.
(Trad. A.M.)
Fontes: A media voz (32p) / Eldigoras (8p+linques) / Fortune City (22p) / Wikipedia / Felipe Benítez Reyes (blogue do autor)
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Felipe Benítez Reyes
30.12.09
INDICE DE AUTORES (2005-9)
ACQUARONI, Rosana
AGUIAR, Cristóvão
AGUIAR, Jorge
AGUSTINI, Delmira
ALBERTI, Rafael
ALEGRE, Manuel
ALEGRIA, Claribel
ALEIXANDRE, Vicente
ALEXANDRE, António Franco
ALIEBURI, Ibne Ayyas
ALISBUNI, Ibne Mucana
ALMEIDA, José António
ALMUTÂMIDE, Mohâmede
ALONSO, Dámaso
AMAR, Ibne
ANDRADE, Carlos Drummond
ANDRADE, Eugénio
ANDRADE, Mário
ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner
ASSIS, Machado
BANDEIRA, Manuel
BAPTISTA, José Agostinho
BARRON, Néstor
BARROS, José Carlos
BARROS, Manoel
BAUDELAIRE, Charles
BAUTISTA, Amalia
BEAUVOIR, Simone
BELO, Ruy
BENEDETTI, Mário
BERGAMÍN, José
BERTO, Al
BLANDIANA, Ana
BOLAÑO, Roberto
BORGES, Jorge Luís
BOTELHO, Renata Correia
BOTTO, António
BRANCO, Camilo Castelo
BRANCO, Rosa Alice
BRANDÃO, Fiama Hasse Pais
BRANDÃO, Raul
BRECHT, Bertolt
BRINES, Francisco
BRITO, Casimiro
CABRAL, A.M.Pires
CABRAL, Rui Pires
CADILHE, Gonçalo
CAMÕES, Luís
CARNEIRO, Mário Sá
CARVER, Raymond
CASTELLANOS, Rosario
CASTRO, Rosalía
CELAYA, Gabriel
CENTENO, Yvette
CERNUDA, Luís
CESARINY, Mário
CHAR, René
CORREIA, Natália
CORTÁZAR, Julio
CRUZ, Sor Juana Inês
CUENCA, Luis Alberto
DALTON, Roque
DÍAZ-GRANADOS, Federico
DIEGO, Eliseo
DIONÍSIO, Mário
EDSON, Russel
ELOY BLANCO, Andrés
ELUARD, Paul
ESPANCA, Florbela
FAFE, José Fernandes
FELIPE, León
FERREIRA, David Mourão
FERREIRO, Celso Emilio
FIGUEIREDO, Tomaz
FONOLLOSA, José María
FONTE, Ramiro
FREITAS, Manuel
GALEANO, Eduardo
GALLEGO, Vicente
GAMONEDA, António
GARCÍA CASADO, Pablo
GARCÍA MARTÍN, José Luis
GELMAN, Juan
GIDE, André
GIL DE BIEDMA, Jaime
GONZÁLEZ, Angel
GONZÁLEZ IGLESIAS, Juan Antonio
GUEDEA, Rogelio
GULLAR, Ferreira
HELDER, Herberto
HERCULANO, Alexandre
HERNÁNDEZ, Francisco
HERNÁNDEZ, Miguel
HILST, Hilda
HORTA, Maria Teresa
INÁCIO, Ana Paula
JEANSON, Henri
JONAS, Daniel
JORGE, Luiza Neto
JUARROZ, Roberto
JÚDICE, Nuno
KAVAFIS, Konstandinos
KNOPFLI, Rui
LEIRIA, Mário-Henrique
LEVI, Jan Heller
LIMA, Ângelo
LISPECTOR, Clarice
LIZALDE, Eduardo
LOBO, Francisco Rodrigues
LOPES, Adília
LOPES, Fernão
LUHRMANN, Baz
MACHADO, Antonio
MARGARIT, Joan
MARTINS, Albano
MATTOS, António Almeida
MEIRELES, Cecília
MERINO, Ana
MESTRE, Juan Carlos
MEXIA, Pedro
MEZQUITA, Nuria
MIRANDA, Francisco Sá
MONETTE, Hélène
MONTEIRO, Adolfo Casais
MORAES, Vinicius
MORIN, E.
MOURA, Gabriela
MUÑOZ ROJAS, José Antonio
MUTIS, Álvaro
NAMORADO, Joaquim
NEGREIROS, José Almada
NEJAR, Carlos
NEMÉSIO, Vitorino
NERUDA, Pablo
NESSI, Alberto
NIETZSCHE, Friedrich
OLIVEIRA, Carlos
OLIVEIRA, Carlos Mota
OLIVEIRA, Mário Rui
O’NEILL, Alexandre
ORTIZ, Fernando
OSÓRIO, António
PACHECO, Fernando Assis
PACHECO, José Emilio
PANERO, Juan Luis
PANERO, Leopoldo María
PARRA, Nicanor
PAVESE, Cesare
PAZ, Octavio
PEDREIRA, Maria do Rosário
PÉREZ CABAÑA, Rosario
PÉREZ CAÑAMARES, Ana
PERI ROSSI, Cristina
PESSOA, Fernando
PESSOA, Fernando (A.Caeiro)
PESSOA, Fernando (A.Campos)
PESSOA, Fernando (R.Reis)
PIMENTA, Alberto
PINA, Manuel António
PIRES, Graça
PITTA, Eduardo
PLATH, Sylvia
PRADO, Adélia
PRÉVERT, Jacques
QUINTANA, Mário
RANGEL, Violeta C.
REIS, António
RIBEIRO, Aquilino
RIBEIRO, Bernardim
RITSOS, Yannis
ROJAS HERAZO, Héctor
ROSA, António Ramos
SABINES, Jaime
SAFO
SALINAS, Pedro
SÁNCHEZ ROSILLO, Eloy
SANTOS, José Carlos Ary
SANZ, María
SARA, Ibne
SENA, Jorge
SILVA, José Miguel
SIMONOV, Konstantin
TAGORE, Rabindranath
TAVARES, Gonçalo M.
TEILLIER, Jorge
THEOBALDY, Jürgen
TORGA, Miguel
UÁZIR, Abdalá Ibne
UGIDOS, Silvia
VALÉRY, Paul
VERDE, Cesário
VICENTE, Gil
VILA-MATAS, Enrique
VILLENA, Luis Antonio
WILLIAMS, William Carlos
YEATS, W.B.
YOURCENAR, Marguerite
ZAÍD, Gabriel
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Indice de autores
Carlos Nejar (Redondel)
REDONDEL
O coração se acrescenta
ao coração se acrescenta
a outro e senta sob a árvore
- tudo tão nuvem entre
um coração e outro -
redondos os sins, os vãos,
a noite na concha
do coração, o pampa
e os corações sentados
e um coração voando.
Mudando, tudo é possível
recomeçar.
Carlos Nejar
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Carlos Nejar
29.12.09
Juan Antonio González Iglesias (Mon tout dans ce monde)
MON TOUT DANS CE MONDE
Palabras de otro idioma, de otro siglo,
de otro amor: aceptarlas
para poder decir cómo te quiero,
lo que eres para mí.
Exactamente eso: mi todo en este mundo.
J. A. González Iglesias
Palavras de outra língua, outro século,
outro amor: aceitá-las
para poder dizer como te amo,
o que és para mim.
Exactamente isso: meu tudo neste mundo.
(Trad. A.M.)
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Juan Antonio González Iglesias
Alexandre O'Neill (Sigamos o cherne)
SIGAMOS O CHERNE
Sigamos o cherne, minha amiga!
Desçamos ao fundo do desejo
Atrás de muito mais que a fantasia
E aceitemos, até, do cherne um beijo,
Senão já com amor, com alegria...
Em cada um de nós circula o cherne,
Quase sempre mentido e olvidado.
Em água silenciosa de passado
Circula o cherne: traído
Peixe recalcado...
Sigamos, pois, o cherne, antes que venha,
Já morto, boiar ao lume de água,
Nos olhos rasos de água,
Quando, mentido o cherne a vida inteira,
Não somos mais que solidão e mágoa...
Alexandre O’Neill
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Alexandre O'Neill
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