28.1.26

Jesús Muñárriz (Ladrões)




LADRONES

 

Para robar la paz
roban primero la palabra
y la proclaman en la guerra. 

Para robar la libertad
roban primero sus tres sílabas
y las enristran como armas. 

Para robar la democracia
roban primero sus diez letras
y las someten y amordazan. 

Ladrones, ladrones, ladrones,
ni paz, ni libertad, ni democracia,
sólo palabras, palabras, 
ladrones.
 

Jesús Muñárriz

 

Para roubarem a paz
roubam primeiro a palavra
e erguem-na ao alto na guerra. 

Para roubar a liberdade
roubam primeiro as três sílabas 
que enristam como armas. 

Para roubar a democracia 
roubam primeiro as dez letras
que amordaçam e submetem. 

Ladrões, ladrões, ladrões,
nem paz, nem liberdade, nem democracia,
só palavras, palavras,
ladrões. 

(Trad. A.M.)

 

>>  Poesi.as (20 p) / A media voz (26 p) / Letralia (7 p) / Zenda (5p) /Zenda (6p)

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26.1.26

Eduardo Guerra Carneiro (O pó dos passeios)




O PÓ NOS PASSEIOS



O pó nos passeios com vagar
se ergue. A luz é mais nítida.
Os corpos se mostram. Em algumas
praias residem dialectos. Turismo
nos marca com ferro diferente
em costumes e fala. Nas ruas se vende
o jornal da estranja. O burro
ainda merca. Alfarroba em bolsa.
O pó nos passeios com vagar
se ergue. A luz ainda é nítida.
Só de certo modo. Só em certas terras.
Turismo na farda. No bolso o desdém.


Eduardo Guerra Carneiro

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24.1.26

Cristina Peri Rossi (O amor existe)

 



El amor existe
como un fuego
para abrasar en su belleza
toda la fealdad del mundo.

El amor existe
como un presente de las diosas
benignas
a quienes aman la belleza
y la multiplican,
como los panes y los peces.

El amor existe
como un don
sólo para quienes están dispuestas
a renunciar
a cualquier otro don.

El amor existe
para habitar el mundo
como si fuera
el paraíso
que un amante distraído perdió
por pereza
por falta de sabiduría.

El amor existe
para que estallen los relojes
lo largo se vuelva corto

lo breve infinito

y la belleza borre
la fealdad del mundo.

 
Cristina Peri Rossi

[Life vest under your seat

 

O amor existe
qual fogueira
para abrasar na sua beleza
a fealdade toda do mundo.

O amor existe
qual presente de deusas benignas
a quem ama a beleza
e a multiplica
como pães ou peixes.

O amor existe
como um dom
só para quem está disposto
a renunciar
a qualquer outro.

O amor existe
para habitar o mundo
como se fosse
o paraíso
que um amante distraído
perdeu por preguiça
por falta de sabedoria.

O amor existe
para explodirem os relógios
o longo se fazer curto

o breve infinito

e a beleza apagar
a fealdade do mundo.


(Trad. A.M.)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


23.1.26

Claudio Bertoni (Festival de jazz)

 



FESTIVAL INTERNACIONAL DE JAZZ DE CONCEPCIÓN

 

Una vez que viajábamos en el mismo bus
yo y el músico al que admiraba
compré unos chocolates para ofrecerle
y así poder entablar conversación
pero no me atreví
y pasé todo el trayecto
a punto de estirar la mano
y decirle ¿quieres uno?
así con naturalidad
como si recién lo hubiera pensado
y no hacía doscientos kilómetros
pero no lo hice
me transpiraban las manos
yo me comí unos pocos
y los demás se derritieron
embadurnándome los dedos.


Claudio Bertoni

[Marcelo Leites

 

Uma vez, viajando no mesmo autocarro,
eu e o músico que então admirava,
comprei uns chocolates para lhe oferecer
e assim meter conversa,
mas não me atrevi
e passei o trajecto todo
a estender quase a mão
e a dizer-lhe, queres um?
assim, com naturalidade,
como se o tivesse pensado na hora
e não há coisa de duzentos quilómetros,
mas não o fiz,
suavam-me as mãos,
comi uns quantos
e os outros derreteram,
enlambuzando-me os dedos.


(Trad. A.M.)

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21.1.26

Domingos da Mota (Rumo)




RUMOR                             

       (a Eugênio de Andrade)

Servias o silêncio
decantado num
cálice de luz,
sílaba a sílaba:

rumor quase
nu, agasalhado
com duas, três
palavras em

surdina: breves
como as aves: livres,
roucas desceram por aí
a debicar: poisaram

nos meus olhos
e na boca:
mas prestes a subir
e a voar.


Domingos da Mota

[Acontecimentos]

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19.1.26

Circe Maia (Composições)




COMPOSICIONES

 

Unas cosas se hacen de otras.
—El portafolio está hecho de cuero—
De sonido y sentido, el lenguaje.
Y de muchas sustancias
el mirar, el silencio.

Circe Maia

 

 

Umas coisas fazem-se de outras.
- O portefólio é feito de couro -
De som e sentido, a linguagem.
E de muitas substâncias
o olhar, o silêncio.


(Trad. A.M.)

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18.1.26

Francisco García Marquina (Tenho medo)




Tengo miedo de hacer asunto público
de este amor que guardamos.
A nadie voy a hablar de tu sonrisa,
por si alguien te la roba,
ni de tu paso alegre, por si alguno
quisiera darte alcance.

Francisco García Marquina

 

 

Tenho medo de fazer assunto público
este amor que nós guardamos.
A ninguém vou falar do teu sorriso,
com receio de que to roubem,
nem do teu andar alegre, não vá
alguém querer apanhar-te.


(Trad. A.M.)

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